21 de nov de 2012

ISRAEL/PALESTINA - tem solução?

Na realidade o que faltou ao mundo árabe foi algo que aconteceu no ocidente no século XVII e XVIII, a saber renascimento, iluminismo e eventuais revoluções, como a francesa, e americana.


Nestes momentos históricos o ocidente experimentou algo que nós “crentes” temos arrepio só de ouvir falar, a saber, a secularização da sociedade, e a separação máxima possível entre religião e estado. de lá para cá as pessoas no ocidente, parariam de matar em nome de Deus, elas não pararam de matar, mas mataram em nome do progresso, do capital, do socialismo, dos partidos liberais, totalitários, até em nome da democracia se mata no ocidente, mas nunca em nome de Deus. E qual a vantagem disto? É que assassinos que não se protegem sobre o manto da fé, são mais facilmente julgados, senão eles, os seus atos. Afinal quem se atreverá emitir juízo sobre alguém que esta apenas atendendo um mandamento do Altissimo?

Bem faltou ao Oriente Médio uma queda da bastilha, uma revolução popular, uma queda do clero, uma proclamação de direitos do homem, e coisas românticas como estas, logo eles ficaram na idade média. Neste aspecto a internet ajuda, ela intensifica a osmose, e a penetração de valores mais humanos nestes países, além é claro do fluxo de pessoas que vem ao ocidente estudar.

Há uma outra informação importante de se dizer, tanto nós como eles sabemos pouco uns dos outros. Nós não conhecemos bem os árabes, e os mulçumanos, temos uma ideia quase que igual a que os cruzados tinham na idade média. Nós imaginamos que os árabes muçulmanos não fazem mais nada na vida a não ser pensar em como irão islamizar o mundo ou matar cristãos ou tirar Israel do mapa, na realidade a maior parte dos árabes ou muçulmanos que vivem desde o Marrocos até as Filipinas da Etiópia até Cazaquistão só tem como preocupação principal a mesma que eu e você temos, a saber, viver  e dar de comer para seus filhos.

Claro que existem os fundamentalistas, claro que existem os radicais, claro que tem gente que tem um salario pago por alguém. Al Qaida ou o Irá por exemplo, apenas para conspirar contra o Ocidente, mas isto é um segmento minoritário, na grande maioria o islâmico é como o católico brasileiro ou o protestante americano, apenas confessa a fé, mas não pratica.

E as ameaças que os radicais islâmicos emitem contra a existência de Israel? O que dizer sobre estes vídeos que correm na internet?
Bem, não sei se você sabe, corre entre os muçulmanos um vídeo feito por eles que conta como pastores ficaram ricos nos EUA dando golpes nas igrejas ou no fisco americano, o vídeo falar dos adultérios destes pastores, dos flagrantes destes com garotas de programa ou amantes. Resultado, a maioria dos árabes, ou muçulmanos acredita fielmente que ocidentais, principalmente se evangélicos são adúlteros, fornicários, beberrões e profanos.
Claro, que isto é uma generalização. Sim, mas a ideia que nós temos sobre os islâmicos também não é uma generalização?

Mas e sobre o conflito Israel x Palestina?
Bem, antes da segunda guerra a França e a Inglaterra prometeu aos árabes que se estes aceitassem os judeus de volta criariam um estado destinado aos palestinos, os árabes aceitaram, os judeus voltaram, tudo iria dar certo, mas ai, as potencias como sempre, deram o golpe, se livraram do problema “judeu” na Europa e nunca mais apareceram no Oriente Médio.

Em 1948 os árabes cometeram um erro estratégico, não aceitaram o território que ONU havia destinado para os palestinos. (O Arafat erraria de novo em 2000 ao não aceitar uma proposta muito parecida, mas ele não se satisfez, queria Jerusalém)  Ali começaria o conflito.
Ai o resto você já deve saber, invasões, guerras de surpresa (Guerra do Yon Kipur) atentados terroristas (deve-se dizer que este termo foi usado pela primeira vez para caracterizar um atentado que os judeus tinham praticado para chamar a atenção para a necessidade deles de ter um estado).


Mas e não teria gente de bom senso entre os árabes ou entre os muçulmanos? (há diferença entre árabe e muçulmano) e Israel seria um pais totalmente caracterizado como um estado laico e que se classificaria como democrático de direito?
Bem, a historia mostra que há sim gente com a cabeça no lugar entre os palestinos ou árabes, por exemplo o Egito faz fronteira com Gaza, mas por acordo com Israel -que lhe devolveu a península do Sinai – não municia os palestinos, além de controlar o fluxo deles na fronteira, as relações entre Israel e Egito desde Carter e Clinton sempre foram relativamente civilizada, o mesmo se pode dizer da Jordânia.
Ou seja, dá para conversar sim.

Mas o que esta acontecendo em Israel neste exato momento?
Campanha presidencial.
Isto mesmo, o atual presidente esta em campanha, haverá uma eleição em Janeiro, o objetivo é semear o terror entre a população, por isto o tom bélico contra os palestinos. O passo seguinte é convencer a população israelense que ele é a resposta firme contra um momento de pavor, tudo para ganhar a eleição contra os trabalhistas, parecido com o que os Bush faziam nos EUA, e o Maluf fazia em SP, prometendo a ROTA na rua.

Mas haveria entre os palestinos alguém que sirva de interlocutor?
Sim, parece que sim, analistas (israelenses e árabes, professores de em universidades brasileiras) afirmam que os palestinos hoje tem duas facções que os lideram. Na Cisjordânia há o FATAH, um grupo moderado, aceito por Israel, inclusive, nas ultimas eleições entre os palestinos, Israel apoiou o FATAH, prometeu um estado palestino caso o FATAH fosse vitorioso nestas eleições ao invés do HAMAS, este sim, radical, inspirador de falas de extermínio de Israel.

Mas por que os palestinos pedem o fim de Israel? Simples, pelo fato deles não terem Estado.
A lógica dos palestinos é a seguinte, se nós que somos numerosos e estamos aqui a séculos não temos direito a estado, porque Israel teria?
Bem, a solução me parece ser, procurar entre ambos os lados segmentos que escolheram o diálogo ao invés do pólvora, a saber, do lado israelense o Partido Trabalhista, moderado, que quando liderado por Itzak Rabim, avançou muito nas negociações. (é bom que se lembre que ele foi morto por um judeu ortodoxo contrario as negociações).

Do lado dos palestinos estaria o FATAH que embora contraditório, parece querer conversar. Mas tem outro elemento fundamental, e este é o estado para os palestinos, já passou da hora de se criar um estado palestino. Para que? Para assim então levantar o nível da conversa, impor um debate entre estados, não mais entre invasor e invadido, opressor e oprimido.

E nós crentes?
Bem, devemos rever a leitura que o Scofild ( da Biblia Scofild) nos impôs com o dispensacionalismo, uma forma de ler a Bíblia, que não faz outra coisa, a não ser impor o terror entre os crentes, e disseminar o “salvacionismo” uma simplificação da fé cristã, algo que só desinforma os crentes. Mas isto é uma outra conversa. Uma outra postagem.

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